quinta-feira, 20 de dezembro de 2012





DUAS VOZES E MINHA MENSAGEM DE NATAL 2012 


Dentro da alma onde o silêncio poderia reinar absoluto escuto um músico e uma voz que creio ser de Deus. Aquele é diferente de todos os outros fora, inclusive de mim. Por gostar muito da sua forma de fazer música minha busca durante anos tem sido se parecer com ele e por vezes parece que estou perto, outras longe. Pode ser que esse músico seja o Edu e minha missão ser como ele. Creio que dentro de cada um existe um músico, um poeta, professor, jardineiro, médico, todos únicos à espera de serem revelados e somos a única forma de tornar isso possível. Portanto desejo que nossos ouvidos estejam mais atentos ao interior, pois o mundo parece estar ansioso por conhecer o novo. Quanto a outra voz, paira no ar um momento de celebração do dia em que ela foi ouvida entre nós. Duas vozes que motivam os meus dias e dão sentido a minha vida. A elas o meu mais sincero e forte BRAVO!

Feliz Natal e um Ano de encontros para todos!

Edu Martins


*pintura Olemadsen - Rembrandt

quinta-feira, 9 de agosto de 2012





MORAL AO CONTRÁRIO NA GLOBO

Ontem me flagrei assistindo ao primeiro (e último, ao menos para mim) capítulo da novela Avenida Brasil exibida pela Rede Globo. Eis a cena que vi e o que percebi estar por detrás da mesma: um homem de meia idade que aqui vou indicar como “velhaco”, estava na cama com uma mulher muito mais nova e, naturalmente, muito bonita (para atender ao padrão Globo e de "mercado") que aqui chamarei de “gostosa”. Enquanto o inusitado casal fazia seu jogo, jazia, perdoem a aliteração, debaixo da cama a ex mulher do velhaco; uma senhora de meia idade, ou idade próxima a dele; aqui designada “coroa”. Esta, muito incomodada, se contorcia por dentro de um possível ciúme, ali sepultada sob a cama. O que ela fazia ali? Por quê?

As cenas seguintes revelaram o mistério. O velhaco, que fora por séculos casado com a coroa estava dela separado e mantinha um namoro com a gostosa. Numa crise de consciência nostálgica estava voltando a querer a ex e com ela mantinha um affair, claro, em total segredo. O antigo casal estava no quarto às escondidas e a namorada, i.e., a gostosa chega de surpresa! A coroa é catapultada para sob a cama e o velhaco para sobre a gostosa, tudo numa velocidade fáustica e não tão obviamente fingindo o jogo com a gostosa sobre a cama. A coroa, que mantinha um relacionamento com um outro homem, olhem só, muito mais novo, e que aqui chamarei de garotão, sofria da mesma febre de recaída pelo velhaco e estava apenas aparentemente comprometida com o tal garotão. 

Num momento que pareceu ser o dia seguinte eles, o velhaco e a coroa, estavam com amigos e familiares fazendo as costumeiras dissimulações e ele se aproxima dela. Com provocações febris, pornográficas e cafonas do tipo “aê gostosa!” tenta seduzi-la a estar com ele na cama ainda aquela noite, isso mesmo que você entendeu, trocar a gostosa pela coroa; consequentemente a coroa trocaria o garotão pelo velhaco.

Antes de seguir e perder algum leitor preciso ressaltar que acho o amor legítimo, lindo e necessário  independente das idades, não sou machão e nem machista. Ora, aquela cena é tão absurda que chega a ser bizarra. Estivesse o velhaco na sua crise nostálgica a desejar a mulher mais velha por ser a mulher da vida dele, o que nos privaria das sandices ditas sob eufórica combustão, ou por ver nela vantagens, ou virtudes num âmbito onde ela é de fato mais forte, tudo faria sentido. Agora, apenas e somente chama-la de gostosa é, a um só tempo, atestar a própria miopia e não ver os explícitos dotes da jovem que está num estágio de sua própria história que a mais velha já esteve. O velhaco trocar a gostosa pela coroa não faz nenhum sentido se o fator de escolha for algo totalmente descabido e impossível de ser aplicado. É como dizer: vou escolher esse cavalo porque é muito mais salgado que o som daquele violino! Ou essa zebra é mais transparente que aquele charuto! Ele ficaria com a gostosa não porque ela é mais gostosa, mas obrigatoriamente mais gostosa! Ou, ele ficaria com a coroa não porque ela é mais experiente (além de gostosa, se for o caso), mas obrigatoriamente mais experiente. E descobrirá a mais incrível magia: elas são diferentes! Comparar uma pessoa mais velha com outra muito mais nova nesses termos é quase tão descabido quanto comparar um avestruz com uma bicicleta.

A novela tenta, de uma forma absurda, pregar uma moral ao contrário, pois para eles, falsos liberais, “é errado defender qualquer moral”. Os casais podem e devem se apaixonar novamente, mas a novela reduz o espectro de cores que transpassam as suas lentes. Este é monocromático e permite apenas a troca do cinza, por outro cinza. Num ambiente monocromático onde tudo é sex appeal é impossível ver outra beleza. As lentes viciadas da novela perderam a chance de revelar um revés para o amor que só pode ser visto com outras que concedem a passagem de um infinito pantone de exuberância; de onde fluem balsâmicos sentimentos num intenso amar. Duas almas quiçá siamesas revivendo, sob o amor que nutriram, como eternos entes, a força prodigiosa de um poder incomparável. Num próprio jardim, ou paraíso. Lugar de refúgio, encontro íntimo com o outro, dando sentido e fazendo a vida ser digna de ser vivida. Lá, o sol é vigoroso e grande é a manhã com intenso respirar! O suspiro não virá só deles, mas até dos ventos e dos montes como testemunhas. Não importando se a outra(o), é, ou não gostosa(o).

Mas...

É uma novela Global. E como diz o senso comum: o amor é cego! (não só o amor...). Já para outros, claro, tem olhos de águia, ufa...

segunda-feira, 4 de junho de 2012



O ESPELHO NO BOLSO
(Edu Martins)
Na fenda que se apensa
Na contracapa da calça
Guarda um espelho
Feito lâmina afiada em bainha de guarda
E se de lá não o remove
É pra não olhar de quando em vez
A retilínea reflexão de uma memória
Que quer sempre arranhar a tez
Por isso o traz cativo
A ousadia é então guardar
(leia-se deixar escondido)
Sabe-se lá quando precisar
Dar à luz uma imagem esquecida
Que se teima em notar...
Estagnada e esmaecida
Mas o que se repete: nada a olhar...
Incauto mostra aos outros
Esse plano de uma imagem bela
Os desejos encantados, loucos
E depois a lâmina volta pra sua cela
O túmulo do bolso
Até uma próxima exumação


*Pintura Narciso, Caravaggio (1594-1596)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

EDU MARTINS & DAVE LIEBMAN
Novo álbum na fábrica...


Para ouvir os trechos das músicas:
http://soundcloud.com/edubassist/edu-martins-dave-liebman-excerpts



“Em 1994, eu comprei um livro de harmonia muito especial. Ele me apresentou muito mais do que teoria musical, continha poesia e profecia. Suas idéias despertaram minhas asas que estavam esperando por seu momento de voar. Um dia juntei a coragem de convidar o autor deste livro para um voo comum, um que que unisse as cordas do meu baixo ao encanto aéreo dos seus sopros. Hoje, esse profeta e eu embarcamos em uma viagem juntos. Seu nome é Dave Liebman”


Edu Martins
Fev 7, 2012
Porto Alegre, RS Brasil


“Foi um prazer tocar essa música porque é tão cheia de vida e energia! Meus cumprimentos para a banda, especialmente Edu Martins por suas composições maravilhosas”


Dave Liebman
Mar 3, 2012
Stroudsburg, PA USA


Por ocasião da vinda do Dave Liebman ao Brasil em 2010 surgiu como ousadia a ideia de gravar um álbum: ele interpretando minhas músicas com meu trio (eu, Marquinhos Fê e Luiz Mauro Filho). A ideia foi um sonho; o sonho se tornou real e está na fábrica...


Lançamento em breve!


Com o meu-bem-querer, Edu Martins.